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O adeus a Maria Pantanal

2007 iniciou com uma grande perda para a Comunidade do Jardim Pantanal. Maria Cardoso Paes, 53 anos, a famosa Maria Pantanal, presidente da associação dos moradores do Jardim Pantanal, faleceu vítima das consequências da diabete, deixando um grande vazio nos corações dos moradores daquela comunidade.
Sua luta pela igualdade social já completava 15 anos.
Maria Pantanal distribuía cestas básicas para sua gente tendo que usar um capô de kombi como barco para ter acesso as moradias, pois aquela região sempre alagava, deixando os moradores incomunicáveis.
Preocupada com os problemas de saúde que as águas das enchentes podiam trazer, procurou implantar o atendimento médico no bairro e exigia do poder público os remédios para distribuir ao povo através das escolas da comunidade.
Sua luta pelo asfalto foi frutífera e hoje ao andar pelo pantanal o cidadão observa que o trabalho realizado por Maria Pantanal surtiu efeitos. O Pantanal já tem várias ruas asfaltadas e a luta de Maria não havia parado quando a morte a surpreendeu.
Fundadora da rádio comunitária Difusora, 102.9, conhecida como a rádio da Maria Pantanal, nunca parou de denunciar, orientar e exigir que a Constituição Federal fosse cumprida, pois o povo tem direito a moradia, lazer, educação e outras necessidades básicas que os governantes dão pouca importância e só a conhecem na época de eleiçôes.

Cansada de ver sua gente sem a oportunidade de ter o básico, Maria Pantanal formou um mutirão e construiu e fundou o Espaço Cultural que sentia haver necessidade, hoje conhecido como o instituto Alan, onde além de vários programas culturais também há uma creche que atende as crianças da comunidade.
Morreu sem realizar seu maior sonho, que era ter novamente um posto de saúde no Jardim Pantanal que às custas de muita luta ela havia conseguido que funcionasse por seis anos e que foi retirado pelos governantes sem qualquer explicação.
Lutou e conseguiu a entrega do leite, distribuía roupas, era atuante nas construções do CDHU, se dedicou a educação implantando salas de aulas para a alfabetização de adolescentes e adultos, de onde se destacou, Tiêta, a aluna mais dedicada do programa a nível nacional, saindo em todas as revistas do governo. Maria Pantanal tinha muito orgulho deste trabalho.
O Pantanal chora a morte de Maria, mas sabe que jamais os seus feitos serão esquecidos ou destruídos, pois como uma grande líder ela deixou seus herdeiros e ficou para Simone Pantanal a continuidade do trabalho iniciado por sua mãe, e que ela acompanha desde pequenina.
No velório e enterro de Maria Pantanal, estiveram presentes os moradores da comunidade, houve muito choro e a saudade esteve presente nos olhos dos amigos.
Lurdinha Rodrigues esteve presente e fez a recomendação do corpo.”Sua obra jamais será esquecida e terá continuidade. Simone e sua família não estão sozinhos, contam com o apoio do povo, do MM e meu”, finalizou Lurdinha Rodrigues. |